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UTI: um ambiente de vida ou morte?

10 out 18
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Em 1854, uma enfermeira britânica chamada Florence Nightingale, foi a grande responsável pela idealização das UTI’s, já que, durante a Guerra da Criméia adotou medidas importantes para o tratamento de doentes graves reduzindo a mortalidade de 40 para 2%. 

Muitos anos se passaram e mesmo com o crescimento tecnológico, as unidades de terapia intensiva geralmente são associadas com maus prognósticos devido a gravidade do quadro clínico dos pacientes.

Com conceitos bem difundidos na medicina, as UTI’s são relativamente recentes na medicina veterinária e passaram a ganhar destaque nos últimos anos. Não divergente, o ambiente da terapia intensiva veterinária tem como missão a presença de profissionais especializados tratando pacientes de alta complexidade.

Quando analisamos dados e taxas de mortalidade dentro de um ambiente hospitalar, a UTI apresenta um número grande de óbitos, afinal, os doentes internados nesse setor estão frequentemente em condições de gravidade. Contudo, o que muitas pessoas deixam de lembrar são os êxitos conquistados na UTI  muitas vezes em situações dada como perdida.

E afinal, o que devemos fazer para tornar o ambiente da UTI menos associado ao óbito?

Mesmo tratando de pacientes de alto risco e complexidades distintas, um aspecto ligado diretamente com desfecho nas unidades de terapia intensiva é o encaminhamento precoce para um suporte avançado.

Publicado na Critical Care em 2011, o estudo “Impact of delayed admission to intensive care units on mortality of critically ill patients: a cohort study”, demonstra de forma bem objetiva que o atraso para o encaminhamento de um doente grave tem correlação direta com alta mortalidade. Mesmo o estudo abordando questões na relação necessidade versus disponibilidade, o que vemos na medicina veterinária é algo muito mais preocupante, por exemplo, o atraso em detrimento da falha na identificação do paciente potencialmente grave.

Sendo assim, destinar o doente de forma rápida para um suporte adequado é fator fundamental para ajudar a fortalecer o trabalho do intensivista, além de colaborar com a redução da mortalidade.

Temos consciência que a terminalidade faz parte do nosso dia a dia em muitas situações e que vai de encontro a toda ideologia da criação de uma UTI, entretanto, mais importante do que rotular de forma negativa, é entender a sua importância na estabilização de doentes graves, e a possibilidade de proporcionar uma “nova chance” de vida a esses pacientes.

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